6 de maio de 2006

MÃES DE PORTUGAL: AINDA HÁ ESPERANÇA!





Televisão pública comemora o dia da Mãe. É nestas alturas que um homem se sente mais pequeno.

5 de maio de 2006

ABRANDAR

Anda tudo cá, pela cidade, a pensar em "como fazer os carros ir mais devagar". Parece que os atropelamentos estarão um cadinho acima do razoável. Na cãmara, vá o departamento de espremer as meninges. Para a 24 de Julho, onde todas as semanas se estropia alguém, estão a considerar um complicadíssimo sistema electrónico.
(suspiro)
Algum amigo brasileiro que esteja na sala, faça favor de dar um passo em frente e explicar o que quer dizer "quebra-molas".

ps: ...como ninguém se adianta, chego-me eu à frente, para dizer que se trata das lombas artificiais que atravessam as estradas, feitas de cimento e sinalizadas antecipadamente. Vou voltar a explicar (porque aquela gente é lenta) : umas saquinhas de cimento, mais umas de pedra, brita, ou o que houver, uns baldes de água, tudo misturado, deita-se horizontalmente na via e deixa-se secar. Quem passar por ali, tem duas opções: a) abranda, b) escavaca o carro todo.
Posso garantir que a eficácia é de 100%. Custa é tão pouco que não há-de dar lucro a ninguém próximo da vereação, helàs!
Muito simples para a nossa cagança, também.
HOJE
comprei uma casa. Do tamanho de um lenço de assoar, é certo. E "comprei" é um exagero verbal atendendo aos próximos trinta e tal anos de dívida.
Mas, ainda assim, as paredes por pintar me pareceram amplas; cheias de promessas.
Algum livro escreverei ali dentro. Não sei é qual. Ainda está tudo em branco.

4 de maio de 2006

HÁ DIAS EM QUE AS ROSAS FLORESCEM COM MAIS DIFICULDADE


MODELO SOCIAL

Hoje ouvi a mais extraordinária declaração de um político. Pareceu-me sincera.
O deputado (creio) do CDS (não me lembro o nome...) que participa do programa televisivo "A Quadratura do Círculo" afirmava que gostaria que em Portugal o Estado tratasse as pessoas da mesma forma, independentemente dos seus rendimentos. Historicamente a sua posição situa-se no final do feudalismo. Mas ao contrário. O que ele propõe, pressuponho, é que quem ganha mais desconte o mesmo, pague as mesmas taxas moderadoras nas instituições públicas e por aí fora.
É o princípio do "se és pobre, a culpa é tua".
No fundo estaria certo... Se a maioria dos portugueses não achasse que é melhor viver numa sociedade com menos miséria ainda que a maior riqueza pague um preço. Aquilo que os padres chamavam dantes "caridade" e que agora se pensa mais como "solidariedade" (que é o mesmo sem pedir o beija-mão agradecido).

Por falar em desgraças. 85% dos pensionistas portugueses ganham menos que o salário mínimo nacional português. E o número impressionante de 3000 ganha reforma milionárias.
Fiz uma conta por alto (ainda inspirado pela presidência cavaquista) e em números redondos diria que estes eurototalistas levam do erário cerca de 15 milhões de euros por mês. Ou seja, o equivalente a 42.858 reformados normais.

Alguém que me explique a razão por que esta situação me deixa perplexo...

3 de maio de 2006

NADAR EM SECO

A cãmara de Lisboa continua de vento em popa. Cada tiro, cada melro.
A última é a decisão de impedir a ida ocasional dos munícipes às piscinas públicas. Ou antes, podem ir, mas com novo equipamento. Por exemplo, se um de nós se lembrar de pegar nas crianças e ir ao domingo de manhã à piscina do Areeiro, por exemplo, vai dar com o nariz na porta, se não levar uma declaração médica para cada membro da família. O atestado, até agora obrigatório apenas para as aulas, passa a ter de fazer parte da nossa carteira se quisermos nadar nas piscinas criadas e mantidas com os nossos impostos. Como a validade é de 6 meses, seremos obrigados a largar 60 ou 70 euros por um papelito duas vezes por ano, vezes o número de membros da família. Ou a perder dois dias de trabalho por ano, para ir ao médico de família (se conseguirmos consulta).
Claro... que este gesto paternalista, em prol da nossa condição cardíaca, poderia ser substituida por um papelinho, assinado à entrada, em que ilibávamos de responsabilidades a entidade camarária.
Mas, claro, o lóbi dos médico (que é distinto dos próprios médicos, bem mais honestos e simples) aliado à patetice camarária prefere uma situação mais onerosa.
Enfim, lá vamos pôr a natação de parte.



2 de maio de 2006

O PRAZER DOS OUTROS

Entrevistaram-me, ontem, a propósito desta minha mania de, uma vez por ano, organizar um workshop de "escrita livre". Em que autores fundamentava as minhas teorias? Onde tinha aprendido? E se dessas moitas já tinha saído coelho? Foi bom, porque percebi que a resposta era negativa em quase todos os casos. Menos no último, já que vi emergir da neblina dos seus textos várias pessoas. Algumas continuam a escrever. Algumas publicarão, para bem de nós todos, um dia destes.
Neguei (e continuo pouco interessado) os manuais do "Como escrever um livro". Os americanos pelam-se por isso. Os espíritos mais simples, ídem. Mas nem a literatura se faz de simplismos, nem nós necessitamos de mais livritos razoavelmente escritos. A criação literária é uma chatice incómoda. Vem de dentro para fora. Como um parto. Como um bebé sujo de placenta e líquidos em que não apetece pegar, quanto mais mostrar ao mundo. Sabe-se que alguém o amará e que temos de o proteger, mas não é bonito, objectivamente falando. Mas é desse montinho de carne que mexe que virá o futuro. A escrita, a verdadeira, é sobre o que não se conhece. É por isso que é tão difícil ser escritor.
Só os patetas não entendem isto. Os ignaros que se refugiam nas teorias literárias para tentar provar o que é bom e o que é mau.
Os exercícios de escrita que proponho são inúteis para quem quer ser como os escritores que admira. Esses existiram e agora estão mortos, excepto nos seus livros. Nunca mais voltarão em carne ou gesto. Só nos resta ser o outro. Ainda que o outro seja menor.
ESTAVA A VER QUE NÃO

O blogue enlouqueceu por uns dias. Pediu descanso. Não quis publicar nada. Hoje actualizou-se, felizmente. Por momentos julguei-me afónico.
Fónix!

24 de abril de 2006

A SEMANA AO TOQUE DA CORNETA!

Chega a 2a-feira à bruta. Com campainhas de porta, manhã cedo. Carteiros trazendo coisas registadas que se são registadas serão por certos coisas, e dificilmente boas. O sol está lá fora, valha-nos isso, mas aqui dentro ainda não aquecemos. É mais o entorpecimento do fim-de-semana que não aconteceu.Que alguém mande chamar o criado que toma conta da carruagem das vitaminas! Please.

21 de abril de 2006

INDIE - DIA 1

Abriu ontem, com o filme da Miranda July, "Me and You and Everyone We Know" e disparou com mais cinco sessões (a maioria esgotada).
Ao consultar o programa chega-se sempre à mesma conclusão: não dá para ver tudo, nem que se mude para uma tenda no jardim ao lado.
Até dia 29, o Indie volta a provar que um festival feito por pessoas que entendem realmente de cinema contemporâneo, que trabalham como doidos durante um ano inteiro, suportando os atrasos nos pagamentos das entidades apoiantes (nomeadamente a Câmara e o ICAM), se pode tornar num caso sério.
Bastaria ver a forma ingénua com que o Fantasporto está a gastar o orçamento em publicidade para promover uma mostra em Lisboa, agressivamente marcada para as mesmas datas, e as tentativas de intimidação junto de realizadores portugueses que outros festivais começaram a fazer, para perceber a importância do Indie. E neste parágrafo resume-se o princípio trágico dos portugueses: toda o sucesso que resulte do trabalho sério e honesto será sabotado. Para que não fique de exemplo.
No entretanto, é irmos vendo alguns dos melhores filmes feitos no mundo neste último ano ;)
POR CÁ, NUNCA! (PELO MENOS ATÉ ACONTECER)

"O Parlamento da Bélgica aprovou ontem à noite um projecto de lei que autoriza a adopção de crianças por casais homossexuais", in Público.

A gente por cá, nem pensar. Crianças só entregamos a pais e avós que as queimam vivas, antes de as deitarem ao Douro, a mães que as cortam em pedaços e alimentam os porcos com elas, ou a pais alcoólicos que lhes batem e as violam até que saiam de casa.
Citando o director do Refúgio Aboím Ascensão, há um ano atrás, "Mais vale que fiquem a vida toda numa instituição do que serem criados por não-heterossexuais".

Calculo que entre as faltas ao Parlamento e o regresso do escritório de advocacia onde acumulam, os nossos deputados se sintam reconfortados com a ideia que o mais importante é impedir a pandemia gay...

20 de abril de 2006

A NOSSA LAS VEGAS

Ai que grande alegria: abriu mais um casino.
O povo mobilizou-se para ver as senhoras chegar de vestido de noite e os senhores muito ricos, ou muito endividados, a sair do parque de estacionamento. Houve muita passadeira vermelha e muito fogo de artíficio. As televisões em directo e toda a gente a dizer: "Aqui é só espectáculos e máquinas a 1 cêntimento a manivelada. Qual ganhar dinheiro? Os proprietários só querem a alegria de todos. O senhor Ho é um santo tão grande como o abençoado Rat Singer".
Fiquei emocionado. Ainda há bons corações.
Mais um sonho do querido Santana Lopes tornado real. Um túnel de fichas, no fundo.
Alvíssaras! Alvíssaras! Chegou o nosso casino.

18 de abril de 2006


MATERNA DOÇURA - LISBOA

Chega finalmente a Lisboa, a adaptação do romance MATERNA DOÇURA, pelo grupo de teatro Trigo Limpo/ACERT.
Com uma digressão feliz por muitas localidades, o espectáculo poderá ser visto no Teatro Cinearte (em Santos), nos dias 28, 29 e 30 de Abril e 1 de Maio.
Os interessados que metam já na agenda, para não se esquecerem.



MORRER NA ESTRADA

A GNR está satisfeita: este ano só morreram de imediato 10 pessoas, nos 1244 acidentes registados. As restantes 25 vítimas em estado grave ainda levarão uns dias a dividirem-se entre "ligeiras" e "fatais". O ano passado foi pior, daí a alegria da nossa guarda.
Os funcionários da Prevenção Rodoviária é que estão chateados. O governo só lhes quer dar 1 milhão de euros para (deduzo eu) salários, percentagens às agências de publicidade e pagamento de materiais. Terá preferido investir nos equipamentos dos já citados guardas. Na entrevista à SIC Notícias, o representante da referida associação fartou-se de falar de dinheiro, sem nunca referir a eficácia das campanhas. Pois eu tenho uma ideia sobre esses resultados: sempre que saio de carro, vejo a minha vida e a da minha família ameaçada. Condutores que ultrapassam em curvas, sobre traços contínuos; gente que se atira para cima de mim se pretendo mudar de faixa (assinalando, atempadamente, a coisa, note-se) e ainda me buzina e chama maluco; pamonhas que andam a 60 à hora nas estradas nacionais, em todos os sítios em que a lei e o bom senso não permitem ultrapassagens para mal avistam um sinal de final da proibição começarem a acelerar (as vezes em que sou forçado disputar a passagem com velhos lunáticos e tipos agarrados ao volante, enquanto avisto a aproximação de um carro de frente, dariam para encher um livro). Quando ouço os resultados das intervenções da Brigada de Trânsito, fico com os ouvidos cheios de "documentação irregular", "cinto mal posto" e "colete luminescente não-homologado pela CEE". Raramente ouço falar em detenção por manobra perigosa, condução em máximos E excesso de velocidade, entre outras situações com que me deparo sempre que conduzo. Não é "às vezes": é "sempre".
Quando saímos para fora das cidades, na Páscoa, integramos um grupo, do qual várias pessoas morrerão ou ficarão com danos irreparáveis. Esperamos apenas que ainda não seja a nossa vez. Essa é a prevenção que temos.

17 de abril de 2006


OPUS BROWN

A seita religiosa que mais amigos tem na banca portuguesa, para não mencionar em grupos de media e na organização que nos alegra semanalmente com o Euromilhões, veio pedir à Sony que, por amor de Jesus, não distribuisse o filme que lhe custou milhões de dólares a produzir.
Eu acho que uma ingenuidade destas (que só tem paralelo com a crença nas aparições e nas virgens sangradoras) mereceria a comoção dos proprietários japoneses. Mas enfim, se for exbido será por vontade de Deus. E quer a Opus Dei perceba ou não, os caminhos do Senhor são insondáveis.



INDIE LISBOA

É já na quinta-feira que começa a 3a edição do mais importante festival de cinema português, o Indie. Centenas de filmes, curtas e longas metragens, uma mostra de cinema sueco e novas secções especializadas, como o IndieMusic e o Laboratório (para o people MUUUITTO radical) vão criar um rodopio de gente na Avenida de Roma.
Para os mais portugueses, isto é, que guardam tudo para a hora, vou adiantando que a venda de bilhetes já abriu, as salas são de dimensão média, e que as meninas da bilheteira estão fartas de dar à unha... Enfim, cada um sabe de si (e Deus coitado é que tem que aguentar com todos). De 20 a 30 de Abril, nos cinemas King, Londres e Fórum Lisboa.
FÉRIAS DOS TRIBUNAIS - A SAGA CONTINUA

Uma juíza vai decidir se os juízes devem ou não ter dois meses de férias mais uma vez. A Associação Sindical para a Malandrice da Justiça (creio ser esta a denominação, mas posso estar errado...) interpôs um processo contra a ordem do Ministério da Justiça, que caberá à magistrada decidir.
Atendendo à escolha que os juízes fizeram do seu bastonário, tenho a certeza de que não haverá lugar para posições corporativistas...
(socorro!)
MANUAL DE DIREITOS DE AUTOR

Quem compra os manuais escolares sabe quanto é que custa cada um. Quem lida com o mundo editorial sabe que as maiores editoras nacionais são as que publicam os referidos manuais. São tiragens de milhares e milhares de livros de preço elevado e aquisição obrigatória.
Nomeadamente os de português.
Que, por enquanto, vão utilizando excertos do trabalho de escritores vivos. Esses excertos são lidos, comentados e servem de base de trabalho nas aulas. Até aqui, tudo em ordem... Não fosse o pequeno detalhe de não haver pagamento de direitos autorais. Ao arrepio da lei que estabelece claramente essa obrigação como contrapartida das editoras. Todo o livro tem custos. Nomeadamente o de remunerar os autores que o integram. Caberia ao ministério da educação verificar se o manual que acabam de aprovar leva em anexo, os contratos com os autores. Caso contrário estão a contribuir para um acto ilícito.

7 de abril de 2006

O PROGRAMA SEGUE DENTRO DE MOMENTOS

Amanhã vou para a província, por uns dias. Isto é, para Portugal no que tem de mais real. Hei-de ver as árvores em flor, as cabras que tentam comer as ervas através da rede e a vizinha campestre que, segurando um saquinho com ovos frescos na mão, me virá cumprimentar como se eu fosse um astronauta acabadinho de chegar de Vénus. O que num certo sentido até será verdade...


O DRAMA DA DENÚNCIA

Ainda há nos jornalistas nacionais sentimentos de grande inteligência e de luta contra a injustiça, neste país. Num espaço de duas semanas vejo-os brandir a espada do "Censura, Não!" (mesmo que seja para chamar putas a freiras. Se alguém lhe apetecer fazê-lo, desde que se reclame como "estudioso" ou "jornalista", tem todo o direito. Enfim..., adiante) e agora a do "Vem aí a Denúncia". Isto a propósito do ar um bocadinho assustado do ministro da saúde ao anunciar o P-R-O-J-E-C-T-O de lei anti-fumo. "Que era para proteger as pessoas no local de trabalho e tal... Se os amigos deixassem, ainda veriam que não era assim tão mau... e nós não somos más pessoas, quase tudo aqui fuma...a gente até pode ceder... Sempre são milhões de euros que a Tabaqueira arrecada e com os quais se poderão pagar tantos favores políticos dando cargos na administração e assim...". Os jornalistas iam-no fumando, confrontando-o com a pergunta se ele iria "denunciar" pessoas que visse a infringir a lei? E ele lá se defendeu como pôde.
Já uma posição mais clara tem o dirigente da bancada parlamentar do PS ,Ricardo Rodrigues. O homem é obrigado a concordar porque, segundo ele, é o que se faz lá para a Europa e a malta não tem voto na matéria mas "a proposta do Governo não pode ser feita com "fundamentalismo"". Ou seja, deveria ficar ao critério dos "toxicodependentes" (ou deveria usar "psicodependentes", já que se gosta mais de imaginar que a coisa não é química, embora o seja?) e dos que lucram com isto.


Toda a gente sabe o que eu penso. É óbvio que não se pode fumar em todo o lado. O tabaco liberta substâncias químicas prejudiciais para a saúde. Logo, cada um tem o direito de as enfiar para dentro do corpo , se lhe der na bolha, mas não de as espalhar. Tão simples como isto. Como se trata de uma dependência, logo, irracional, é necessário legislar.
Quantos dos que protestam gostariam de voltar uns anos atrás ao tempo em que as pessoas escarravam para o chão, os homens urinavam contra as paredes à vista de todos, e os penicos eram despejados na via pública? Que avancem, os que querem regredir.
De qualquer forma, não se zanguem, porque há muitos interesses económicos em jogo. Logo, a lei não avançará desta forma. Os lóbis que ganham com isto vão tentar reduzir os prejuízos, dilatar a aplicação da lei e de caminho, mais alguns de nós contrairemos doenças pulmonares à conta do "prazer" de alguns.
Oh meu Deus... Será que estas palavras me condenam como "Denunciante"?... Por outro lado... ninguém poderá ir contra, porque isso seria "Censura".
É bom viver num país onde tudo é tão claro.

6 de abril de 2006

COMENTAR É PRECISO

Tenho um bocado de saudades do tempo em que as pessoas se irritavam com algumas coisas que eu aqui escrevia. Havia nessa discordância, frequentemente, um entendimento diferente do mundo ou, muito simplesmente, uma má interpretação do post.
Milhares de pessoas visitam o prazer_inculto (algumas via google com a indicação "gajas boas", é certo - mas é uma minoria) por semana. Do mundo todo onde se fala ou se entende o português. E contudo pouca gente usa a caixa de comentários.
Fico sem saber se é pelo desinteresse do que aqui é dito ou se concordam em bloco.
Qualquer um dos casos é preocupante.

ps: se a razão tiver a ver com aquela charada de reproduzir as letras e os números não se deixem intimidar. Eu próprio passo por isso quando respondo a alguém. É pateta, mas evita o spam.

5 de abril de 2006

A LEI DA RONHA

Os funcionários judiciais estão indignados. O governo emitiu uma circular que os impede de falar de assuntos de serviço com a comunicação social.
De facto, é extraordinário: primeiro, acabaram com os dois meses de férias no Verão, agora estão a tentar retirar, a muitos, a fonte de rendimentos que é a venda de informações sobre os processos em julgamento, a jornalistas...
Qualquer dia, começam a querer que se deixem de merdas e comecem a despachar os triliões de processos.
É de mais.
Greve, já!


4 de abril de 2006

LANÇAMENTO

Nem só de lixo vive o mercado editorial português actual. Muito pelo contrário. Os bons saem regularmente. Passam é o tempo todo a desviar a cara das bostas e da indiferença dos seus contemporâneos.
Adiante.
Assim, refira-se o lançamento do livro de poemas do escritor e jornalista Fabrício Carpinejar. Nascido em Caxias do Sul (no estado do Rio Grande do Sul, bem lá no fundão - cosmopolita, porém - do Brasil), Fabrício publicará CAIXA DE SAPATOS, antologia de poesia, pela Quasi. Será no dia 12 de Abril, na FNAC Chiado, às 18h30, em Lisboa.
Portinglês

A introdução do Inglês desde os primeiros anos de escola pelo governo de Sócrates já está a dar resultados. Um artigo de economia do Diário de Notícias declarava: "De acordo com o reporte enviado pelo Governo...".
Espera-se que em breve para as entregas dos mesmos relatórios se siga o exemplo dos amigos brasileiros que já só falam "delivery".
Estamos deliverados à bicharada, é o que é...

3 de abril de 2006

O REFLUXO

Enquanto assisto a um episódio do "Verão Azul", tento explicar à minha filha por que razão o Pancho se dá ao trabalho de roubar uma égua branca e de arriscar a pele, apenas para cumprir o sonho de Bea. E não consigo. O tempo do romantismo acabou. O tempo dos ideais, do estender cordas para resgatar de uma falésia um desconhecido em risco escureceu.
Vêm-me à cabeça as palavras de um grande escritor amigo: "é o refluxo". Depois da generosidade e dos ideais dos anos 60 e 70 chega a "revanche" do materialismo. Nada dialético, por sinal. O tempo das vacas com pressa.
Nada será definitivo e o coração dos homens não se aguentará para sempre suspenso no seu próprio vazio.
Mas até lá parece que a noite não terá fim...

30 de março de 2006

FEIRA DO LIVRO MANUSEADO

Anualmente, uma das melhores editoras portuguesas coloca muitos livros fundamentais à venda, a preços de saldo. É a festa da Assírio que se recomenda, vivamente.

Na livraria da Assírio e Alvim, Rua Passos Manuel, 67 B


28 de março de 2006

MIGUEL ROCHA

Basta tropeçar num livro tão bom como O TEMPO DAS PAPOILAS, para nos lembrarmos do talento do autor de BD Miguel Rocha. Bom em qualquer parte do mundo.
Só um país em que o governo escolhe para o Ministério da Cultura, sistematicamente, gente inoperacial, porque nem ele, nem o país percebem bem para que é a coisa serve, é que um autor destes passa ignorado de um público alargado.
Saiam dos centros comerciais e abram os olhos, por amor da santinha!

BRASÍLIA

Amanhã, o escritor Alaor Barbosa lança mais um livro de contos e prosas reunidas. É no Bar Monumental, BSB, SHCE/SUL, Quadra 201, Bloco C, loja 33 (parece complicado, mas este despropósito de letras faz todo o sentido quando se navega entre as asas e a fuselagem do avião...). Além de óptima pessoa, é um muito bom escritor. Amigos candangos e afins, não percam a prosa.
Eu é que infelizmente estou longe.

27 de março de 2006

KAFKA À BEIRA-MAR

Tenho um gato a dormir à cabeceira. Colado na capa do último livro do Haruki Murakami, publicado entre nós (Casa das Letras). Pela dimensão do livro e a escassez de tempo, ainda vamos passar algum tempo juntos.
Recomendo vivamente. Mesmo para quem não gosta lá muito de felinos.

A EXPLICAÇÃO DOS PARDAIS

Perguntava-me quem seria este presidente de júri que acredita que um argumento chamado "O Enigma de Zulmira" vai ser uma revelação para o cinema português. Ou que considera a adaptação de um clássico da literatura neo-realista "Bastardos do Sol" (que só na edição do Círculo dos Leitores, vendeu 80.000 exemplares...), como "uma ideia desinteressante". E que, mais gravoso do que tudo isto, assina duas actas seguidas, de dois concursos distintos que atribuem dois subsídios ao mesmo filme, a saber "Rosebud", de Carlos Saboga. Perante a impassibilidade do presidente do ICAM, do secretário de Estado e, tanto quanto pude apurar, da maioria dos argumentistas concorrentes. Não se trata aqui de duvidar do interesse do projecto, mas da inépcia do presidente do júri que no espaço de duas semanas, "se esquece" que o Estado já apoiou um filme.
A explicação para esta desatenção sonhadora veio-me, da autobiografia do senhor. Escrita pelo seu punho e publicada no site do ICAM, para consulta pública. Reproduzo, com a devida vénia.

"Paulo da Rosária ? Escrita de Argumento
Como Publicitário exaltou o perfume e a cor dos vinhos do Dão. Como
Professor de Português chorou a rir, com os alunos e com os textos do O´Neill,
do Eça e do Camilo. Paulo da Rosária, Professor de Argumento na
Universidade Católica Portuguesa há cerca de oito anos mantém um olhar puro
na avaliação da fantasia que cabe à tradição da arte do contador de histórias.
Sempre ancorada na tradição e no conhecimento da cultura portuguesa.
Escreveu telenovelas, telefilmes, sitcoms, documentários, sketches
humorísticos. Sempre a pensar na avó, na mãe e nos filhos, que são três e na
mulher que é só uma."

(sic)

ps: enquanto os concursos forem colocados maioritariamente na mão de ineptos, escritores de 5a categoria, ex-directoras demitidas do Camões e obscuros professores universitários próximos, para não dizer gémeos, de lóbis como o da Escola de Cinema, ou da área "griliana", não há, repito, não há, a mínima hipótese de melhoria do cinema português.
Serei eu a estar errado, ou pedir às pessoas que sejam imparciais, que saibam ler um argumento, ou que percebam um pouco mais de cinema do que terem visto quinhentas vezes o "Titanic", seria o mínimo exigível para um tal dispêndio de fundos públicos?

24 de março de 2006


LIVROS PARA A CANALHADA

A literatura infantil portuguesa tem mais um livro. A partir da excelente ideia de que os miúdos são insuportáveis mais por natureza do que por mau feitio, Rita Taborda Duarte e Luís Henriques lançam pela Caminho, A FAMÍLIA DOS MACACOS.
Destaque para as excelentes ilustrações (e Deus sabe como eu sou esquisito com os ilustradores portugueses...).
O REGRESSO DOS GATOS

Se forem ao arquivo do blogue, que fez (pelo menos) 3 anos, este mês, verificarão que fui das primeiras pessoas a reconhecer publicamente o talento do Ricardo Araújo Pereira. Não foi preciso ser muito esperto para tal. Bastava ver um post dele no falecido Blog de Esquerda, anterior ao Gato Fedorento, para saltar à vista a rara mistura de humor, cultura, e tiro certeiro no boneca de feira. O que se seguiu, todos sabemos. E ainda bem para a gente todos.
Regressam hoje, pela mão da RTP. O que causa alguma inquietação... Enfim, espero que a contaminação não tenha sido excessiva.
Um abraço à equipa (que não lerá este post, mas enfim, cá fica o abraço, que nisto dos afectos somos tão sovinas, que nunca é de mais insistir).

ps: para o pessoal que mora lá fora, estou a referir-me a um programa de humor :)
DE CATAGUASES

Fica em Minas Gerais, Brasil. E de lá têm saído artistas vários, ao longo dos anos. Um deles, o meu amigo Ronaldo Cagiano, enviou-me esta foto. Tirada o ano passado, durante o I CINEPORT ? I Festival de Cinema de Língua Portuguesa, que este ano será em Lagos. Ao que parece, a organização é boa do lado de lá. Por cá, não sei. Vou até esquecer o preconceito de estar a ser organizado pelo autor de filmes pavorosos como "Inês de Portugal", ou o medonho "Preto e Branco". Talvez o senhor seja melhor a organizar filmes do que a fazê-los. Deus me ouça, que o povo de Minas merece.

22 de março de 2006

2 DA MANHÃ, JÁ PASSA

Concluo o argumento da longa-metragem a partir de O NYLON DA MINHA ALDEIA. Revejo a sinopse, a caracterização de personagens, a nota de intenções... Amanhã é dia de entrega de projectos no ICAM. Mas isso é amanhã, que é hoje, mas ainda não é porque não dormi e a noite continua. E enquanto estou aqui, neste entorpecimento pós-criação, posso imaginar que este filme talvez venha a ser feito. Que o júri, por uma vez, se preocupará com a ligação entre a criação artística e o prazer do cinema. Que não terá à partida ideias fixas sobre a necessidade de "abordagens estruturalistas neo-visionárias de cariz micro-futurista", que os meus trabalhos, helàs, nunca revelam...
Ainda é de noite e estou cansado. Mas por agora, o futuro pode vir a ser diferente...

20 de março de 2006

ALQUIMISTA

Descubro num livro de Português do 8º ano (Porto Editora? Texto Editora? já não me lembro) uma lição inteirinha a partir da obra de Paulo Coelho...
Fico surpreendido... Não sabia que os adolescentes portugueses estavam a tomar contacto com contemporâneos de tanta qualidade...

Parabéns à equipa do ministério que aprovou o livro e aos professores que o seleccionaram para as suas escolas. Assim vamos longe!

17 de março de 2006

PAROU DE CHOVER EM PORTUGAL

Olhei para a rua e pensei nos que estão longe de Portugal. Fica tudo mais compreensível quando se vê à distância.
Até a saudade faz mais sentido.
A REBELDIA

Noticiava hoje o Público:
"Um grupo de rebeldes que se faziam passar por polícias mataram 21 pessoas numa auto-estrada no sudeste do Irão.
De acordo com a agência de notícias iraniana IRNA, o general Esmaeil Ahmadi Moghaddam acusou os serviços secretos norte-americanos e britânicos de estarem a encorajar os rebeldes a atacar pessoas."


A pergunta é: por que cargas de água, um grupo de pessoas assassina um grupo de civis numa autoestrada? Para roubar, para fazer um manifesto, porque ficaram malucos?
A segunda: O que significa "rebelde", na boca de membros de uma ditadura islâmica, mantida no poder à custa do assassinato de milhares de pessoas, onde as mulheres foram obrigadas a deixar todas as liberdades conquistadas e a sair à rua cobertas dos pés à cabeça?
A terceira seria: Como é que um jornal repete literalmente um comunicado destes como se fosse uma verdade jornalística...?

16 de março de 2006

A CULTURA

Gostaria de retribuir aos nossos autarcas e governantes o critério que eles têm colocado na escolha de vereadores, secretários de estado e ministros da cultura.
Eis aqui a expressão justa da minha opinião.
RIR

Nunca soube contar anedotas. Não tenho memória, logo, só me posso espetar na tentativa.
Mas, não é o caso da Pat, nos mini-filipinos, que conta esta (que reproduzo, agradecido,lol):

"D. Dinis, filho de D. Duarte Duque de Bragança, pretendente ao trono de Portugal, dirigiu-se ao pai e disse.
- Paizinho, sou gay.
- Não, meu filho - respondeu D. Duarte - EU é que sou Guei, a mãezinha é gaínha e tu és pguíncipe."

CARNAVAL É QUANDO UM HOMEM QUISER

Perante a minha perplexidade sobre a duração do Carnaval no Brasil e as consequências para o fígado e outros orgãos mais externos nas populações, recebi de um amigo baiano, a seguinte resposta:
"Não sei se esclareci o amigo sobre ponto importante de nossa cultura, então lá vai: o ano no Brasil só começa depois do carnaval; o ano na Bahia, para muitos só começa depois das festas de São João, e para a maioria não começa nunca. ".
Por cá é mais ou menos o mesmo. Sem os tambores nem as mulatas, helàs...

15 de março de 2006

CONTAR HISTÓRIAS

Para os pais que, mesmo cansados, ainda acham que é bom sentar na beirinha da cama dos filhos ao final do dia, o grupo CONTADORES DE HISTÓRIAS está a promover mais um curso.
Para melhorar ainda mais esse acto de amor estrutural.
Mais informações aqui.

14 de março de 2006

PRINTEMPS

No quintal do prédio a árvore invisível enche-se de pontos brancos. Ao pequeno-almoço reparo que cresceu. Está mais bonita, este ano, a árvore que hiberna.
No dia seguinte é toda braços e pernas, botões brancos. Não me lembro do nome dos seus frutos. Ou até se dá frutos. Deve dar, com tanta flor.
O sol encheu o quintal degradado nos dias frios. E este, aproveitador, espreguiça-se de ervas e plantas e folhas e cores.
Há primavera temporária nesta cidade.

9 de março de 2006

TUDO ESTÁ BEM QUANDO ACABA BEM :) (VIVA! HURRA!)

1. "Os cinco maiores bancos portugueses somaram, em 2005, lucros líquidos consolidados de 2,1 mil milhões de euros, valor que corresponde a cerca de 1,4% do PIB português. O Millennium bcp foi o "campeão" dos lucros, com 753, 7 milhões de euros em 2005, resultados que se encontram 40% acima dos registados pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), que ontem apresentou os números de 2005, com os seus lucros a atingirem 537,6 milhões de euros."
in DN

2. "Só que em escassos anos as famílias portuguesas, que em 1990 ainda tinham uma taxa de poupança de cerca de 40% do seu rendimento disponível, apresentam actualmente taxas de endividamento da ordem dos 118 %. No reverso desta situação, refere Lacerda Machado, está a profunda alteração da sua relação com uma série de bens que fazem com que o património responsável pelas dívidas não possa ser encontrado nas casas, hipotecadas ao banco, ou nos automóveis comprados em leasing. "
ibidem

3. "Idosos recebem um ano de subsídio já este mês
O complemento - que fará subir até aos 300 euros os apoios mensais aos pensionistas - já foi pedido por quase cinco mil portugueses, de acordo com os últimos dados apurados. 80 % são mulheres, 87 % não têm filhos, 70 % têm entre 80 a 84 anos."
(ainda no mesmo sítio... o tal ibidem, portanto)

7 de março de 2006


AS CONTA$

Não sei o que tenho... Desde que Cavaco Silva foi eleito presidente de nós que sinto uma estranha pulsão pelas contas certinhas. Eu, medíocre na matemática desde que me conheço, ponho-me agora a fazer contas por tudo e por nada.
Por exemplo: Tomada de posse de Cavaco Silva=900 convidados (fora os penetras de gravata laranja). Que comerão e beberão, não sendo de prever que o boliqueimista em questão e a sua Maria se limitem a servir uma aguardente de medronho e uns figos com amêndoas. Há-de ser coisa para os lados dos canapés, do vinho branco e, eventualmente de um razoável champanhe. Não estou por dentro do cattering (ressalve-se que pode vir a ser oferecido por alguma empresa de construção...) e dos seus preços, mas parece-me razoável que o beberete custe qualquer coisa como 15 euros por pessoa (estou a ser porreiro). 900 x 15 euros= 135.000 euros. Por baixo, muito por baixo. Acrescente-se a isto que os "altos dignatários" irão até ao palácio de cuzinho tremido, nos mercedes e bmws que todos pagamos, o que aumenta a despesa sabe deus para quanto... Mais a segurança reforçada, a farpela da Maria, upa! upa!
Perdi-me... Já não sei quanto é que vai esta cerimónia inútil...
Sou de Letras. Irremediavelmente...

ps: na verdade acabaram por ser 4000 (quatro mil) convidados. Agora é que não me peçam mesmo para pensar quantas refeições para pessoas carenciadas se compraria com essa verba!

6 de março de 2006

LITERATURA

Perco tanto tempo a comentar (pessimista,nos últimos tempos...) o país que me esqueço de falar de coisas mais importantes. Como a literatura, por exemplo.
Mais atenta e generosa do que eu, a Armandina Maia, no seu blog, luzpresença, vai divulgando o que mais lhe interessa no trabalho dos escritores contemporâneos. Fez o favor de me incluir, o que agradeço. Passem por .

A RECOMPENSA DO CARACOL

Por que não anda a Justiça portuguesa? Fácil: pela mesma razão que o resto não anda. É preciso não fazer ondas, ir picando o ponto e, quando menos se esperar, chega a reforma choruda.
Em caso de dúvidas, bastaria atentar para a listagem (que me foi gentilmente enviada por e-mail) dos reformados do ano 2005. Nove em cada dez pessoas que ganham acima dos 5000 euros mensais são juízes ou estão ligados à magistratura. Alguns com mais de 1700 euros mensais. Mas, a título de exemplo, aqui fica a listagem do mês de Agosto de 2005. Enquanto os assalariados iam para a Costa da Caparica de autocarro, eles contabilizavam.

VALOR (euros) FUNÇÃO

5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservadora Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5043.12 Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5027.65 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5159.57 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Ajudante Principal Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Notário 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado

Deus nos livre de precisar de uma decisão judicial que possa colocar em risco a ascensão para estas reformas de aposentação!

2 de março de 2006

UM LAMENTÁVEL MALENTENDIDO...

Há mesmo má vontade contra o pobre do Bush, essa inteligência. Agora é com o furacão Katrina.
Ao que parece foi avisado da sua chegada, ao contrário (como sempre) do que veio a afirmar mais tarde.
Fontes próximas afirmam que ao ouvir o nome "Katrina", o actual presidente dos States terá declarado:
"Eu já disse a essa mulher que a pensão de alimentos só chega no dia oito", e escondendo a cara entre os braços terá acrescentado: "Uma garrafa de bourbon! Uma simples garrafa de bourbon e vou ter que aturar esta bitch até ao fim dos meus dias!".

1 de março de 2006

O PAÍS IMAGINÁRIO

Portugal é um país curioso porque parece que somos generosos e abertos ao outro, que a Justiça funciona, que um político com ligações ao futebol pode ser preso, que as senhoras de direita se preocupam mesmo com a saúde das criancinhas e das mães das criancinhas, que existe muitos realizadores e escritores realmente talentosos ou, ainda, que os jornais se interessam por noticiar com insenção as coisas mais importantes que acontecem por cá.
É falso.
Mas só nos resta acreditar, fazer de conta, ou as lojas não dariam à conta a vender malas de cartão.

28 de fevereiro de 2006

OPERAÇÃO CARNAVAL
"Oito mortos nas estradas portuguesas" (TSF).
Boa, boa! Não foram tantos como de costume, mas já demonstra um óptimo esforço dos nossos condutores. Aposto que o número de feridos graves aumentou... Estamos de parabéns, mais uma vez, por este número imbatível na Europa.

24 de fevereiro de 2006





Um grupo de marginais adolescentes assassinou um homem, no interior do esqueleto de um prédio. Depois deitaram o corpo para dentro de um buraco. E foram-se embora.
A polícia está inclinada para a hipótese de "não ter havido premeditação". Estariam ali distraídos a atirar pedras a todo o que lhe parecesse esquisito e, nesse dia, resolveram fazer o gosto aos ténis e espancarem até à morte o homem que ali dormia. A rapaziada foi mandada para as barracas onde mora ou para as instituições que (segundo os relatos vindos a público no ano passado, e que já caíram no esquecimento) os metem a trabalhar e os enchem de porrada. Interrogados com severidade "só pararam para comer". São inimputáveis, claro. Com excepção do mais velho que já tem cu para ir para a cadeia.
Ainda bem que a fúria dos 13 adolescentes se virou contra um travesti, sem-abrigo e drogado.
Olha se tivesse sido contra uma pessoa com direitos...

DEIXA A VIDA ME LEVAR...., VIDA LEVA EU
Um amigo deu-me de presente a descoberta do samba do Zeca Pagodinho.
Quando as notícias são deprimentes, ou o dia nasceu cinzentão, eu tomo um comprimido desse cantor.
A música que me faz melhor tem o refrão que dá título a este post, continuando com "sou feliz e agradeço a vida que deus me deu".
E se a coisa não pegar, salto de faixa e junto-me à minha turma: "Você sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar!"



23 de fevereiro de 2006



Manuel da Costa Ataíde

Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto

A PÉ


Ia escrever sobre a dor muscular que me chateia há dias.
Mas depois lembrei-me que subi, a pé, a avenida Almirante Reis, ao anoitecer. Estava frio e o autocarro passava ao lado, mas vim a pé. Porque há vezes em que a alegria não cabe dentro de um carro. E até mesmo a pequena alegria precisa de ser passeada, como um lume que começa a acender e que se for soprado com delicadeza poderá aquecer numa noite escura.
Ia falar da dor no pescoço mas já não vou. Vou antes lembrar-me da brisa fresca a girar à volta da minha cabeça contente.

20 de fevereiro de 2006

A NOSSA ALÁ

Ainda bem que estamos muito longe do envolvimento entre a Religião e o Estado de muitos países muçulmanos.
O caso da transladação do cadáver da Irmã Lúcia é a prova disso.
As três televisões nacionais transmitiram em directo, o carregar dos ossos de uma suposta vidente. Racionalíssimo, portanto.
O meu amigo (digo "amigo", no sentido do afecto que tenho por ele e que espero recíproco) Tolentino Mendonça, belo poeta e homem sensato, defendia ontem, ou assim me pareceu, a necessidade de se olhar para Fátima como um fenómeno de fé; de iluminação interior de muitas pessoas. A bem da alegria e da harmonia universais. Ora, tudo o que venha melhorar o homem tem, naturalmente, a minha gratidão. Contudo, tenho alguma dificuldade em aceitar um movimento que nasce, obviamente, de uma fraude criada e perpetuada por um clero ansioso por manter o poder sobre as ovelhas. E que acrescenta a este pecado original um recolher alegre de milhões de euros anuais, livres de impostos, que vão parar sabe deus a que mãos e com que fins.
O homem que desenvolve a sua espiritualidade transcende-se? Certamente.
Mas não sobre os ossos de uma mentira.


17 de fevereiro de 2006

RON MUECK

Algum brasileiro caridoso me explica por que razão tantos dos seus conterrâneos entram no meu blogue em busca de informação sobre este artista plástico?

16 de fevereiro de 2006

A SOPA

A taróloga bem escreveu para o meu signo: "A carta é o Eremita. Tudo a andar para trás quando julga que vai para frente" (quer dizer, as palavras não eram bem estas... Eram até mais bonitas, que nisto da adivinhação por cartas e coscuvilhice cor-de-rosa tem nível e não se rebaixa com uma frase qualquer...).
Chego à noite depois de ter visto a casa que ia comprar (baratinha) ir parar às mãos de um malandro sem nome ( a quem, contudo, não desejo mal... Quanto muito, umas infiltrações inesperadas nos soalhos e, se não der muito trabalho à Providência, uma praga de ratazanas loucas...), de VÁRIOS condutores me terem tentado abalroar o carro e de ter visitado uns apartamentos dignos de Barbies com overdoses de Prozac.
Vou fazer uma sopa.
Ao menos, as nabiças da horta não me hão-de dar desgostos.
Talvez uma lagarta...

14 de fevereiro de 2006

NOTÍCIAS BOAS

Acabam de sair dois bons livros de amigos do Brasil.
ELES ERAM MUITOS CAVALOS, do mineiro (de Cataguases, claro) Luiz Ruffato, amigo da casa, e escritor empenhado em revirar a estrutura do romance, sai na Quadrante.


E de Porto Alegre, o amigo João Gilberto Noll, ataca com LORD, pela Palavra.
Os dois do melhor da literatura brasileira actual.
A procurar e comprar.

Esperemos que muitos outros autores brasileiros de valor, mas desconhecidos entre nós, se sigam.
ESCOLA 2

O programa de governo também se mostra muito preocupado com os processos de avaliação no ensino secundário. De alunos e professores.
Não vi, foi uma linha que mencionasse o escândalo nacional de termos um corpo docente no ensino superior sem qualquer formação pedagógica. Em resumo, poderemos ter mestres formados em Harvard, mas que na prática, não percebem um boi do acto de ensinar. Não por fraqueza deles, mas pura e simplesmente porque ninguém pensou em lhes ensinar.
OS PAIS E A ESCOLA

Há uma confusão de papéis que está (desde há vários anos) a minar o processo de ensino: o papel dos pais. Quando alguém refere que os pais devem "participar no processo educativo", está na verdade a dizer "ensinem os vossos filhos a serem pessoas, que os professores providenciarão outras competências. O que está a acontecer, na prática, é que grupos de pessoas que não têm mais nada que fazer passaram a entrar nas escolas, a pôr e dispôr e infernizar o já duro trabalho dos professores, com o consentimento apático, quando não a aprovação do Ministério da Educação. Casos aberrantes, como de pais que metem processos a professores que, detectando deficiências mentais, óbvias, em alunos, os tentam colocar em aulas com apoio acontecem. O problema é quando, por exemplo, no interior, um pai toma o reconhecimento da deficiência como um "fracasso" seu e age vingativamente contra o mensageiro.
Outros casos são mais simples e têm a ver com comportamentos marginais no interior dos recintos. Professores assistem à formação de gangs de adolescentes ociosos e desresponsabilizidados sem que possam fazer nada.
As associações de pais, são um lóbi crescente que serve os interesses dos vários governos. Basta olhar para o Orçamento de Estado para se ter uma noção da fatia que a Educação toma. Cortar na verba dispendida com os professores (era interessante analisar a percentagem gasta com funcionários do ministério de pessoal administrativo e de não-limpeza/não-guarda de putos das escolas...), aproveitando ainda para se vingar de uma classe que os chateou lá atrás, psicanaliticamente falando, é ouro sobre azul. Nunca ouço grupos de pais a dizerem que se estão a organizar para "ir trabalhar nas actividades extra-curriculares", por exemplo. Seria interessante, já que se empenham tanto...
Estamos a criar uma nação de iletrados, inúteis e marginais. E enfiar pais que não educam em casa mas que sabem imiscuir-se ignorantemente nas escolas, não vai ajudar.

13 de fevereiro de 2006

CONCURSOS ICAM

O Apoio Financeiro Selectivo à Escrita de Argumentos Cinematográfico (LM Ficção) de 2004, continua sem resultados. Anulado pelo actual Secretário de Estado da Cultura, que invocou "razões de ferimento do regulamento" (ao que consta, a vítima indignada que foi pressionar o secretário terá sido um certo insecto de peso na inteligentziazinha nacional...), dois anos depois, os argumentistas que viram os apoios ao seu trabalho congelados continuam à espera.
Outro detalhe interessante, num país que precisa de bons argumentos como do pão para a boca, foi o anúncio da diminuição de verbas para o referido concurso. É entendimento deste governo que os argumentistas "andam a ganhar muito". Numa actividade que, tal como tudo o que é criativo, não dá trabalho nenhum e faz-se com uma perna às costa... Para se ter uma ideia dos valores de um argumento numa longa metragem portuguesa, andam à roda dos 0,5 %. Com sorte. E primeiro que se apanhe o devido, upa, upa...
Este ministério é cada tiro, cada melro...

10 de fevereiro de 2006

REPETIÇÕES

Fazendo como os canais por cabo, repito aqui um post de Fevereiro de 2004:

A IMORTALIDADE A PRESTAÇÕES
Hoje tentei escrever páginas imortais de literatura, mas só consegui tirar uma mancha de humidade do tapete. A lixívia não deu para mais.
Raios partam o nosso lado humano ;)

9 de fevereiro de 2006

A GUERRA CIVILIZACIONAL



Petar Pismestrovic, Kleine Zeitung, Austria

Freitas do Amaral veio defender a posição de que insistir na provocação ao fanatismo religioso era fazer o jogo dos que querem ver a civilização ocidental desaparecer.

Faz sentido. Nós damos como adquirida a evolução da humanidade. Esquecemo-nos, nessa atitude, de que o Império Romano também acreditou na excelência do conhecimento. Só por curiosidade, relembro que se seguiram as "invasões bárbaras", seguidas de mil anos de trevas.

Talvez venhamos a pertencer, ao longo das nossas vidas, ao grupo de pessoas que vai assistir à queda de nossa civilização. Como atrás ficou dito, não seria a primeira vez na História.

ps: recomendo como bibliografia a saga Persépolis, a bd da Marjane Satrapi, sobre a mudança de regime na Pérsia (actual Irão).

A ANEDOTA DO ANO

Quando parece que não é possível ser tomada uma decisão mais cretina, neste "rectângulo abençoado por deuS" lembrou-se a Ministra da Cultura de nomear para o IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico - não me perguntem de onde diabo vem o "R"...), o Tomás Taveira.
(suspiro)
Bom, ao menos ficamos com a certeza de que as decisões, além de coloridas, ainda ficarão registadas. Para mais tarde lamentar.


ps: para os amigos que não conhecem Lisboa, aqui os dois MELHORES edifícios desenhados pelo seu gabinete de arquitectura.

8 de fevereiro de 2006


CARICATURAS

"Piquei" esta caricatura aos amigos do Marretas (que por sua vez a picaram na origem: www.filibustercartoons.com . Origem, digo eu, que isto das imagens na net, passa para cá e para lá, ganha novos contornos e no fim é, como diria o Vargas Llosa, "um striptease ao contrário").
PORTAL GALEGO

A língua portuguesa tem muitas variantes. Aqui encontramos quem defenda uma delas. E de caminho promova a literatura que se faz em camoniano, mundo afora.

7 de fevereiro de 2006

A DELICADEZA DOS AGENTES

"Olha que aquele gajo vai a fugir"
PUMMM! PUUMM!
A onomatopeia foi da shotgun do polícia que disparou contra um carro, numa rua de Lisboa. A frase foi a relatada por uma testemunha ocular que acrescentou que quando o homem embateu com o carro noutra viatura, depois de ter o vidro de trás desfeito com tiros, e saiu com as mãos no ar, ainda levou uma carga de porrada. A bordo seguiam duas crianças. Uma delas ficou ferida.
Relatório da polícia: "Um indivíduo tentou atropelar um agente, que disparou um tiro de aviso para o ar".
Voltou o tempo em que os GNRs abatiam manifestantes voadores.
MATERNA DOÇURA - A digressão

Ok, pessoal, a companhia ACERT-Trigo Limpo emalou tudo e vai carregar o espectáculo baseado no meu romance, país afora.
Tomem nota das datas e dos lugares (por agora, actualizações no site da companhia):

SANTARÉM
Teatro Sá da Bandeira a 11, 12 e 13 de Fevereiro

SANTA COMBA DÃO
Casa da Cultura, a 11 de Março

VISEU
Teatro Viriato, a 16 e 17 de Março

COIMBRA
TAGV, a 30 e 31 de Março

GUIMARÃES
Centro Cultural VilaFlor, a 6, 7 e 8 de Abril

SÃO PEDRO DO SUL
Cine-Teatro, a 24 e 25 de Abril

LISBOA
Teatro Cinearte, a 28, 29, 30 de Abril e 1 de Maio

PORTO
Teatro Rivoli, a 6 e 7 de Maio

GUARDA
Teatro Municipal, a 13 de Maio

ESTARREJA
Cine-Teatro, a 20 e 21 de Maio

Se isto não é descentralização...

6 de fevereiro de 2006

ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2006

Para início de conversa, tudo pode ser consultado, neste endereço. Assim, e ao contrário do que se costuma fazer, cada um poderá verificar as áreas que mais lhe interessar.
Parecendo, assim a olho, um orçamento que procura ser contido e com algumas ideias em áreas importantes para todos, comece-se por afirma que é a visão de um engenheiro. Ou seja, da mesma maneira que Cavaco Silva pensou o país, nos seus tempos áureos (e, julgávamos nós, idos) como o melhor caminho é a união de dois pontos por uma linha recta (esmagando o que estiver no caminho), também Sócrates tem áreas preferenciais facilmente relacionáveis com a sua formação e vivência. Não é por acaso que se está a estabelecer como bandeira, um "Plano Tecnológico" ou que um engenheiro americano é tratado com honras de papa. Mas enfim, poderia ser pior. Olha se tínhamos deixado passar o Santana Flops... Adiante.
Entre outras prioridades, destaco esta: "Ainda no sistema prisional é importante salientar a construção de uma Unidade Complementar no EP do Porto, bem como dar um forte impulso ao ?Plano de Erradicação do Balde Higiénico? em todo o sistema.". Pelo tom entusiástico, quando algum de nós lá for parar por delito de opinião, ao menos já vai ter um autoclismo para puxar.
Sobre o real valor da Cultura, basta olhar para os orçamentos dos ministérios. No fundo da lista, vem o MC. Terá um orçamento de (se bem entendi os números, mas a variação não há-de ser muita) de 189, 7 milhões de euros. Destes, 80 milhões são para pagar a funcionários (3325 pessoas). É com o que sobra que se vai apoiar as iniciativas. Se tomarmos como referência, os 12.583, 7 milhões de euros para as Finanças e Administração Pública ou os modestos 1.909 milhões de euros para a Defesa ( e não vou à Saúde, nem à Educação...) percebemos o país, culturalmente falando, que temos.
Mas, basta ver as propostas para a Política Cultural Externa, para entender que, de facto, não vale a pena investir muito. Entre outras prioridades pretende-se "dinamizar a imagem do Instituto Camões através de acções de marketing" ou "definir uma filosofia relativamente ao património luso construído no mundo".
Para o que vai fazer por cá, melhor será ler. Tal será a pouca relevância da coisa.
Assim de repente, ficamos com a ideia de que se juntou a fome com a vontade de comer. A incompetência da ministra e do seu (lobista) secretário de estado aliada a uma visão política que não sendo de adorno, também não é de progressão na qualidade mental dos portugueses.

5 de fevereiro de 2006

LIGHT AS HELL

De uma coisa, não podem acusar o país: de ser pesado.
Depois do flagelo da literatura light (agora transformado no pesadelo da literatura histórico-fast...), e da cultura-light, que se avista na SIC (a Bárbara Guimarães a passear no meio de prateleiras cheias de livros a declamar Eugénio de Andrade mereceria um prémio. Não sei é bem qual...), chegou o Fado-Light.
Juro que não é pelo apelido abobalhado (embora ele já esteja tão socialmente em baixo que mais fundo só a China), mas a forma como avistei uma jovem cantora a retalhar a canção mais típica portuguesa deixou-me perplexo. Quase tão surpreendido como ver a cobertura que os media davam a uma caquinha daquelas...

2 de fevereiro de 2006

POLÍCIA SECRETA

Segundo a revista "Visão", o primeiro-ministro estaria a criar uma "nova polícia de informações" a partir do seu gabinete.
Se calhar fartou-se de saber o que a outra andava a investigar através das notícias que eles vendem às revistas cor-de-rosa e aos jornais sensacionalistas...

UM PROBLEMA NA CANALIZAÇÃO

Da multiplicidade de arguidos no caso de corrupção conhecido como "Apito Dourado", foi deduzida acusação contra apenas 29. Todos de Gondomar (nenhum do Porto, graças a Deus, que por momentos até se pensou que... Felizmente que Deus é Pai e, por isso...).
Na hora de apertar, a "Justiça" portuguesa faz como sempre, "não tem bem a certeza" se deve incomodar ou não. E os que provavelmente se encheram com dinheiro sujo, escapam-se pelo ralo do lavatório. Um, a um, vão sumindo, sumindo...
Se houver algum canalizador na sala, por favor, manifeste-se!

SAUDAÇÃO
De vez em quando esqueço-me de acenar aos amigos que visitam o Prazer_Inculto, de Lisboa ao México, do Montevideu à Inglaterra. Muitos, do Brasil (hoje, a Goiânia esteve representada, um abraço para os amigos do Palácio das Esmeraldas).
Bem-vindos, a todos os que falam a nossa língua.

1 de fevereiro de 2006

SOCORRO! VEM AÍ O GRANDE HORROR!

Para quem acha que não há ligação entre o capital e o jornalismo faça favor de ler o gigantesco artigo do DN, precedido de chamadas alarmistas de capa, sobre as consequências da proibição do tabaco em locais públicos em Espanha. "PORTUGAL PERDE MILHÕES COM A LEI ANTITABACO ESPANHOLA" e "Fisco pode perder 90 milhões". Resumindo, a matéria chama a atenção para o GRAVE PROBLEMA que é o preço do tabaco ter descido em no país vizinho (para responder à concorrência da proibição) e a possibilidade daí decorrente de que os portugueses VÃO LÁ COMPRAR. Menos impostos, mais contrabando. O horror. São chamados a depôr no artigo, a Brigada Fiscal e até esse senhor inexplicável que está à frente do Conselho de Prevenção Contra o Tabagismo, Paes Clemente. Este senhor (o mesmo que veio afirmar, tempos atrás - baseado sabel Deus em quê - que apenas 19% da população portuguesa fuma, quando entra pelos olhos dentro que este número andará no mínimo próximo dos 50% ) mostrou-se "tranquilo". Tranquilo numa altura que se constatou que a lei proposta pelo anterior ministro da Saúde foi metida na gaveta e adiada até às calendas gregas. Tão tranquilo como a Tabaqueira que afirma condescendente que a lei já proíbe nos locais onde as pessoas são "obrigadas a ir", como Hospitais ou bancos. Não sei quanto é que o nosso "defensor" ganha, mas é demais. Nem que seja o dinheiro do passe do autocarro, dada a óbvia incompetência. Nem quanto é o salário de cada administrador da Tabaqueira. Mas quanto a estes últimos, estou "tranquilo", já que estes estão definitivamente a fazer o seu trabalho bem feito.

ps: também descobri o quer dizer a expressão "fumador passivo": somos nós, os bananas que levamos com o fumo e nos retiramos, pedindo desculpa de estar em espaços públicos.

31 de janeiro de 2006

É PRECISO DIZER COM FRONTALIDADE




Esta é a razão porque permanecemos todos em Portugal.

30 de janeiro de 2006


ERRATA

Sinto que às vezes exagero ao mencionar que vivemos tempos de desvario e conservadorismo tacanho ao mesmo tempo.
Com o meu pedido de desculpas, aqui vai uma imagem da nova colecção Primavera-Verão 2006, da Christian Dior.


MATRIXBURGUER

Para os que não têm medo de tomar a pílula vermelha, aqui está um endereço: http://www.themeatrix.com/portuguese/

29 de janeiro de 2006

A CONSTITUIÇÃO E A LEI

Duas mulheres portuguesas preparam-se para desafiar a lei e pedir (repito, pedir, e com pouca esperança) que a Constituição da República Portuguesa se cumpra no que toca à não-discriminação pela orientação sexual. Este movimento de questionamento sobre a justiça veio do interior de um partido (dos que vivem do dinheiro dos contribuintes)? Do interior da Assembleia da República? Das eminências pardas que, diária ou semanalmente, nos dizem pela televisão o que pensar? Não. Veio de duas mulheres que sentem na pele o que é estar condenada a ser cidadão de segunda. À invisibilidade. Ainda por cima (pelo que se viu na reportagem da Sic) não são provenientes de uma classe particularmente instruida ou economicamente saudável. São duas mulheres, iguais aos outros não sei quantos milhões delas, que querem existir. Será naturalmente o princípio de uma batalha que é capaz de nem ir longe. Por agora. Sempre foi assim.
Sabem por que razão os supra-citados representantes não mexem no assunto? Porque eles próprios não concordam. Basta jantar, tomar um copo numa ocasião não-oficial, para que a homofobia salte. Mesmo dos gays (não-assumidos, claro) eleitos. Mulheres juntas, só em filmes porno, e mesmo assim, para dar tusa aos homens.
Às vezes dá vontade de lhes gritar que mexam esses cus inúteis ( falo em sentido metafórico) e que defendam quem os elegeu. Todos os que os elegeram. Que parem de lamber as cruzes a quem usa o dinheiro para mexer os cordelinhos e que cumpram o seu dever.
O dever para com mulheres e homens que moram nos subúrbios, ou nas cidades de província. Que dizem "prontos" e passam os domingos nos hipermercados. Mas que nem assim (ou por isso mesmo) deveriam alguma vez ser tratados como gente descartável.

NEVE EM LISBOA

Estranhei ver a chuva começar a voar.
Afinal, embora de forma ténue (por enquanto) o impossível aconteceu: caiu neve na capital.
Quem sabe se a nuvem de pessimismo (com razões) que paira sobre o país não se transformará um dia numa coisa clara e luminosa...

27 de janeiro de 2006

RON MUECK

Em boa hora, o Rui Carvalheira me chamou a atenção para o trabalho deste autor.
Há qualquer coisa de mortal no seu hiper-realismo. A vulgaridade humana fica sem escapatórias. Um corpo é um corpo. Uma mulher velha é uma mulher velha. Um gigante é um homem exageradamente triste.
Para aceitar, antes de continuar a viver.

E contudo...

Mais aqui ou aqui.

23 de janeiro de 2006

AMÉM

Pergunto-me, que relação existe entre este site e este....
Imagino que uma pergunta destas, duzentos anos atrás me conduziria às masmorras e daí à fogueira... A uma fogueira qualquer.

CAVACO É FIXE!

Ora o homem aí está. À 2a foi de vez. A maioria assim decidiu. E a democracia é isto. E, honestamente, Cavaco Silva é o rosto do Portugal que vivemos. Inculto, novo-rico e crente que o sucesso é fazer uma estrada que leve até aos hipermercados. Será "boa pessoa"? Provavelmente. Representar o país é que é outra coisa...


Deselegante, seria, no mínimo, a decisão do primeiro-ministro José Sócrates em discursar ao mesmo tempo que Manuel Alegre. As televisões fizeram o jogo e o discurso do deputado que conseguiu um milhão de votos contra a máquina partidária do governo foi silenciado. Ou eles assim pensam. Se alguém tinha dúvidas sobre a impiedade da política bastaria ver a maneira como Sócrates, que tem tomado algumas medidas importantes, se apressou a dar a estocada final no candidato presidencial. Seria assim tão difícil; custaria assim tantos votos, admitir que se apostou no cavalo errado? Seria mesmo necessário recorrer a uma estratégia tão baixa e evidente para "ganhar".
Manuel Alegre e os seus apoiantes vieram dizer duas coisas. Para o interior do partido afirmaram que ainda nem todos os homens que acreditam em ideais estão mortos. Para o exterior, que é possível alguém ser eleito sem máquina partidária a preparar-lhe o espectáculo. Ora, qualquer uma das duas propostas é insuportável para uma classe política onde o sentido de justiça foi há muito substituido pelo apunhalar a eito quem se meter no caminho para o poder.
Perdoai-lhes, Senhor, que eles não sabem mesmo o que fazem...

20 de janeiro de 2006

PRESIDENCIAIS

A coisa não provoca grande excitação, dado o perfil dos candidatos. Excluindo os não-elegíveis que sabendo-o tentam ganhar votos para o partido que representam, restam 3. Um que deveria ter sabido retirar-se enquanto tínhamos dele a ideia de ter prestado um bom serviço ao país, outro de quem só conhecemos a poesia e (parece) um coração dado às causas perdidas (como a democracia, a prevalência da inteligência e da emoção sobre a imbecilidade e por aí fora...) e, apoiado em bloco pela Direita (o que nunca é bom sinal para o mexilhão) um ex-primeiro ministro. Ao que tudo aponta, este último deverá ser o vencedor, logo a despachar. Não ficarei surpreendido. Santana Lopes também chegou a presidente da Câmara de Lisboa, o que era impensável, e mais tarde a primeiro-ministro, o que nem ao diabo lembraria. A depressão que atinge o país não tem só origem nas dificuldades económicas. Deriva também do espectáculo de ver aceder a lugares de poder pessoas, oriundas dos aparelhos de poder, da lambe-botice despudorada e da incúria nas escolhas (veja-se a Cultura, por exemplo, e a forma como o actual governo a tem deixado ao deus-dará; ou na câmara de Lisboa, a pavorosa equipa resultante das últimas eleições - que ainda se "está a organizar", desde Setembro!- e que nos deprime a todos). Passámos de um Estado em que as pessoas eram nomeadas exclusivamente por cunhas, para outro em que os cargos são ocupados por incompetentes que sobem à dentada.
Não ficarei surpreendido se alguém que leu pouco e parece entender ainda menos da diversidade que compõe o país for eleito. Direi até mais: será porque Portugal está mesmo a merecê-lo.

17 de janeiro de 2006

IN AMERICA

"O condenado à morte mais idoso da história do estado norte-americano da Califórnia foi executado esta noite, na cadeia de San Quentin. Para além de cego, surdo e diabético, Clarence Ray Allen, que ontem fez 76 anos de idade, sofria de problemas cardíacos e estava confinado a uma cadeira de rodas." in PÚBLICO
Ao que consta, o homem ainda terá resmungado, enquanto tropeçava no corredor:"Não sei para onde me levam, mas se é para a injecção da gripe, mais vale matarem-me. É que fico todo doído das agulhas".
George Bush enviou um perú à família do condenado.
SAY: BYE BYE!

O Rui C. enviou-me este endereço fatídico.
Só para corações fortes.
"Nós os ossos que aqui estamos..."
www.findyourfate.com/deathmeter/deathmtr.html